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Flexibilização da quarentena deve puxar desemprego em junho e julho, diz Ibre/FGV


Além da flexibilização da quarentena, a perspectiva de redução do auxílio emergencial pago pelo governo deve motivar mais trabalhadores a buscar colocação no período Com a flexibilização da quarentena das famílias, os indicadores de desemprego devem mostrar forte alta em junho e julho, refletindo uma maior busca por vagas no mercado de trabalho, diz Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que a taxa de desemprego cresceu para 12,9% no trimestre móvel encerrado em maio, ligeiramente abaixo da mediana das projeções de analistas ouvidos pelo Valor Data (13%). No período, o país perdeu 7,8 milhões de ocupações, frente ao trimestre móvel anterior.
Duque explica que a taxa de desemprego não cresceu ainda mais porque parte dos trabalhadores dispensados não voltou a procurar emprego — o IBGE considera desempregado apenas quem efetivamente adotou medidas para conseguir uma vaga no mercado de trabalho.

Claudio Belli/Valor
No trimestre móvel até maio, um adicional de 9 milhões de pessoas em idade para trabalhar migraram para a inatividade e não foram contadas como desempregadas. “Em maio, um parte das pessoas que perderam emprego já voltou a procurar vaga, mas não ainda da forma como vamos ver nos próximos meses”, diz Duque.
Além da flexibilização da quarentena, a perspectiva de redução do auxílio emergencial pago pelo governo deve motivar mais trabalhadores a buscar colocação no mercado em junho e julho, puxando a taxa de desemprego para cima. Para ele, o mercado de trabalho deve demorar a mostrar recuperação.
“Não existe nenhum indicativo de recuperação do mercado de trabalho. O emprego responde com atraso à economia. Primeiro, é preciso haver mudanças na economia, na conjuntura, que depois se reflete no mercado de trabalho”, acrescenta o economista.
Duque calculou o desempenho do mercado de trabalho isoladamente no mês de maio, expurgando março e abril do trimestre móvel utilizado pelo IBGE. Ele identificou que a queda da ocupação foi de 1,2% em maio, frente ao mês anterior. Essa queda havia sido mais intensa em abril, de 6% frente a março.
“São dois saldos negativos, mas um menor do que outro. O estoque de emprego caiu mais devagar, mas não chegou ao fundo do poço. Então, é um movimento semelhante ao que vimos nos dados do emprego formal do Caged”, explica o pesquisador. “O ajuste do emprego não chegou ao fim”.
Duque afirma que as medidas adotadas pelo governo, como a possibilidade de redução da jornada de trabalho, evitaram uma maior perda de empregos no país. Para ele, o ajuste do mercado de trabalho vai ser mais intenso do que o previsto nas horas trabalhadas, e menos no desemprego.
“Estamos revisando nossa projeção da taxa de desemprego média do ano para algo em torno de 15,5%, abaixo da taxa média de 18,7% que prevíamos antes. O que estamos esperando é uma redução mais intensa das horas trabalhadas e menor da população ocupada”, afirma o pesquisador.

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