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Dívida bruta do governo começará a ceder a partir de 2029, aponta Ipea


Os níveis de produção e arrecadação mais baixos do que antes da crise exigirão que o esforço fiscal do setor público seja reforçado no futuro Num cenário de lenta recuperação da economia nos próximos anos, a relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro só deve começar a ceder a partir de 2029, mesmo que o setor público consiga gerar saldos primários positivos, mostram estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicadas no documento Visão Geral de Conjuntura.

De acordo com o Ipea, a dívida bruta do governo geral deverá crescer de 75,8% do PIB no fim de 2019 para 93,7% do PIB no fim de 2020. Mesmo que as despesas para enfrentar a pandemia não se estendam pelos próximos anos, os níveis de produção e arrecadação mais baixos do que antes da crise exigirão que o esforço fiscal do setor público seja reforçado no futuro.

Nas projeções do Ipea, na ausência de medidas adicionais de contenção dos gastos obrigatórios, a relação dívida e PIB deverá seguir em crescimento nos próximos anos e atingir seu pico em 2029, em 107,9% do PIB. Evitar o crescimento continuado dessa razão deve ser, de fato, o primeiro objetivo da política fiscal no pós-Covid-19, avaliou o Ipea, no documento divulgado.

Cenário alternativo de crescimento
Segundo José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de estudos e políticas macroeconômicas do Ipea, um cenário alternativo de crescimento mais acelerado da economia permitiria a redução da razão entre dívida e PIB a partir de 2022. Esse cenário pressupõe não apenas reformas fiscais, mas mudanças mais amplas por meio de reformas microeconômicas e a reforma tributária.

“Uma observação importante é que uma eventual adoção de políticas fiscais expansionistas poderia ter efeitos contrários aos desejados, pois inviabilizaria a manutenção da ancoragem de expectativas representada pelo teto dos gastos e, por conseguinte, levaria a prêmios de risco e taxas de juros mais elevados, comprometendo toda a dinâmica de reversão da alta da dívida bruta”, explica o economista.

No documento, o Ipea reafirmou suas projeções para a atividade econômica ao longo de 2020, divulgadas no início de junho. Segundo o instituto, o PIB deverá recuar 10,5% no segundo trimestre deste ano, frente aos três meses anteriores. Para 2020, a expectativa é de queda de 6%. A recuperação da economia no segundo semestre deste ano deverá deixar um carry over de 2% para a atividade no ano que vem, quando crescerá 3,6%.

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